2006

Histórias e linguagens:  texto, imagem, oralidade e representações

J. Carlos, o cronista do traço

Isabel Lustosa

  • p. 165

SEGUIDORES

Christopher Finch disse que Norman Rockwell (3/2/1894 – 8/11/1978) desenhou os americanos como eles gostavam de se ver. As cenas primorosas de Rockwell traduzem o quotidiano da gente simples, da classe média e, de vez em quando, dos mais ricos. Elas formam o grande painel da sociedade americana ao longo de várias décadas do século passado. Podemos dizer que J. Carlos compartilha com ele dessa mentalidade benevolente, desse olhar singelo sobre a realidade do próprio país. Olhar que trai uma natureza generosa e sem amarguras. Também o Brasil que desponta de seus desenhos é o Brasil com seus problemas, com a gente simples apertada pela carestia, apostando no jogo do bicho, se alegrando com o carnaval, mas sua caricatura jamais é rancorosa, demolidora ou irreconciliável. Em tudo o que faz está presente o seu jeito de homem honesto, trabalhador, esperançoso de um futuro melhor para o Brasil. J. Carlos foi para os brasileiros o que Rockwell  foi para os americanos: através de seus desenhos, o Brasil se via alegre, risonho e claro no seu quotidiano mais simples. Durante os longos anos que J. Carlos reinou soberano na imprensa brasileira, chegou a ter alguns seguidores; Théo e Oswaldo foram …