1924

Emilio de Menezes

Mortalhas, os deuses em ceroulas

UCLA Library 2007

  • p. 107

Fazendo, a lápis, a figura do popular caricaturista J. Carlos, o D. Magriço, ei-lo em carne e osso:

É tão alto, tão magro, tão sem viço.

Que ninguém, pelas villas ou cidades.

Mais que elle deve ser o D. Magriço,

O D. Magriço das ociosidades.

Não lhe provoco os ódios, nem lhe atiço.

O mau gênio por vis perversidades.

Porque elle é o puro, o impávido, o inteiriço.

Guarda nocturno das celebridades.

Noctívago por índole, por gosto.

Somente à noite dá signaes de vida.

  • p. 108

Para andar e mentir sempre disposto.

No fundo é uma alma boa e agradecida.

Mas quando não mentir, torcendo o rosto.

Há de morrer de peta recolhida.