J. Carlos e Zé Carioca

O Mundo Disney

  • p. 48

Da viagem ao sul do Rio Grande nasceu não somente Zé Carioca, mas a bem-vinda introdução da música popular brasileira em Hollywood.

  • p. 53

Consta que o grande ilustrador J. Carlos participou da escolha e da criação de um papagaio para El Grupo, apelido dado aos norte-americanos. Num jantar, Walt chamou o grande caricaturista brasileiro para seu lado e a filha do capista de O Tico-Tico serviu de intérprete.

Quando esteve no Brasil, em política de boa vizinhança, Walt Disney escolheu o papagaio para ser um personagem nativo, 0 grande caricaturista carioca J. Carlos colaborou nos esboços iniciais e chegou a ser convidado a ir para Hollywood. Ilustrou um papagaio fazendo as malas em partida para os EUA. J. Carlos ficou, Joe foi, convidado a trabalhar em Hollywood.

  • p. 54

Mas J. Carlos desistiu e ficou. Mas Joe Carioca foi. E voltou Zé Carioca.

A Magia do Império Disney

  • p. 111

1941

Disney no Brasil

Foi nesse estúdio que Walt criou o Zé Carioca (Joe Carioca nos Estados Unidos), com a ajuda dos desenhistas Luis Sá e J. Carlos – este último, o grande cartunista brasileiro dos anos 1920 aos anos 1940 que, com traço primoroso, explorava a imagem das melindrosas.

  • p. 112

Muitos outros brasileiros tiveram esse “prazer em conhecê-lo”.

1995

The Journal of Decorative and Propaganda Arts

M Library, UT Libraries 2008

Later he sent Disney a beautiful drawing of a stylized parrot, in the uniform worn by Brazilian soldiers in World War Two, hugging Donald Duck dressed as a U.S. Marine. J. Carlos’s parrot inspired Disney to create Joe Carioca, a character that appeared for the first time in Saludos Amigos and became a comic-book Disney character in Brazil. For nearly half a century, J. Carlos illustrated various aspects of Brazilian reality. It is endearing that this simple, honest, family man, who headed straight home after work, captured better than anyone else the delightful sensuality of carioca …

1997

República

UT Libraries 2008

  • p. 87

Representadas nos desenhos de J. Carlos estão ainda a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, assim como as diversas inovações tecnológicas que “modernizaram” os boulevards da …

ENQUANTO na prancheta dos engenheiros surgia a cidade afrancesada, em sua prancheta, J. Carlos, intérprete das aparências, fazia a crônica visual dos tipos emergentes de figurinos elegantes, acompanhados das novas regras de …

J. Carlos foi também uma espécie de historiador da “periferia” européia. Comentou com liberdade os principais acontecimentos do século, as guerras mundiais, o nazismo, o Estado Novo, este com a devida cautela. A sua caricatura e ESBOÇO da primeira versão do Zé Carioca e capa da revista Careta, denunciando roubo de Disney …

Walt Disney morrendo de inveja dos desenhos de J. Carlos, após ter este recusado o convite para trabalhar em seu estúdio, copiou inteiro, num verdadeiro plágio, o desenho do papagaio, hoje o conhecido Zé Carioca. Ainda um episódio engraçado é o de J. Carlos, sisudo, mas paradoxalmente bem humorado, ao comprar sua casa, ter enterrado nela um lápis ao invés da pedra fundamental. Escreveu mais tarde a homenagem: “Sobre a ponta fina de um lápis ergueu-se esta casa”. Lápis e humor que definiram os contornos da obra monumental de J. Carlos ironicamente, o único de quatro irmãos a não ter estudado desenho.

2005

Carmen:  uma biografia

  • p. 342

Quanto ao personagem de Zé Carioca, já nascera pronto. Durante sua estada no Rio, em seu qg no Copacabana Palace, Disney fora vastamente informado sobre a importância do papagaio na psique do homem brasileiro. Alguns povos faziam uma idéia tão arrogante e exaltada de si mesmos que se identificavam com certo tipo de aves: águias, condores, falcões. O brasileiro se identificava com o papagaio. Através das centenas de anedotas que lhe contaram — o pianista Gadé foi levado ao Copa especialmente para uma sessão de piadas —, Disney ficou sabendo como o brasileiro, digo, o papagaio, podia ser pobre, folgado, preguiçoso, vagabundo e sem caráter, mas era esperto, feliz, sabia se virar e aprendia tudo com facilidade, inclusive a enrolar os gringos. Para a criação física do personagem, usaram vários elementos — alguns sugeridos por desenhistas brasileiros que Disney conheceu, como J. Carlos e Luiz Sá. O fraque, o chapéu de palhinha, o colarinho duro, a gravatinha-borboleta e o …

Desde 1941 Walt Disney tirou ideia da obra de J. Carlos, do seu traço ímpar foi possível reelaborar um singular personagem, no caso mais explícito Zé Carioca.