1943

15021998Atlântico – Revista Luso-brasileira

IU Libraries 2011

  • p. 146

Segall, que adoptou o Brasil como sua pátria, reflete, através da nostalgia de tons baixos, a nossa áspera natureza e o intenso drama dos povos emigrados e perseguidos. De um raro brilho é a obra de Burle Marx, especulando as formas abstratas com um senso de cor e composição que o tomam notável. Pancetti, paisagista sóbrio, seguro observador dos valores, forma com Rebolo Gonçalves, de São Paulo, um duo para quem a natureza é um modelo de constante e livre inspiração. O nome de Graciano, entre os mais novos, vai se firmando com largo conceito, pela sua intensa produção, na qual a pesquisa de novos meios o toma sempre imprevisto. Cicero Dias é dos poucos que adoptaram o surrealismo como meio de evasão artística. A sua obra é uma contínua e poética memória dos campos de plantação e costumes dos engenhos de Pernambuco. Teruz sente o motivo brasileiro na maneira dos pintores do Renascimento, dando à sua arte um curioso toque de delicado anacronismo. Entre os mais jovens se destacam: Milton da Costa, Erico… Ilustradores como Lívio Abramo, Di Cavalcanti, Noêmia, Luís Jardim, Paulo Werneck e Oswaldo Goeldi; caricaturistas como Augusto Rodrigues, J. Carlos, Nássara, realizam um constante trabalho de educação artística. A obra de Lívio Abramo, gravador em madeira, pouco divulgada mesmo entre nós, se reveste de um forte acento de humanidade, traduzindo no motivo social os grandes momentos de sua fecunda emoção. Na escultura temos artistas como Celso Antônio, Herculano, Peçanha, Figueira, Pedrosa e Velozo, que, trabalhando dentro do espírito neo-clássico, formam uma equipe apreciável ao lado de Brecheret, forte pesquisador da forma livre.

O edifício do Ministério da Educação e Saúde, projectado por esse homogêneo grupo e que tanta discussão provocou pela sua arrojada concepção, é um marco dos novos caminhos por onde trilha a arte brasileira.

Outros nomes ainda são notados, entre os quais os de Fernando Saturnino de Brito, Atílio Correia Lima, Afonso Reidy, Aldary Toledo e outros. E é pena que dentro de um tão notável florescimento da criação intelectual, tenha a crítica um plano tão inferior, tão afastado dos problemas reais das artes. Talvez que o nosso temperamento e a nossa natureza prefiram o jogo directo, intuitivo, das obras de arte, sem o paciente trabalho de estudo e informação. Entre as excepções encontra-se o nome de Mário de Andrade, um dos homens de estudo cujo acatamento em todos os círculos intelectuais é devido à sua vasta cultura e justeza de conceitos. Também em São Paulo, Sérgio Milliet e Luís Martins desenvolvem um dos mais honestos trabalhos de informação e divulgação dos …