Fcº Acquarone

1939

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UCLA Library 2009

Mais tarde foi o comentador chistoso das páginas do “Malho”, “Fon-Fon”, a ” Lanterna”, o “D. Quixote” e muitos outros semanários, quasi todos os que se publicavam no Rio. Neste último creou o famoso “Garoto” que explicava tudo quanto era, trocadilho que aparecesse. Até hoje é notória a atividade de Calixto. Frequentemente aparecem caricaturas suas nos jornais e nas revistas cariocas. Professor de modelagem e desenho, trabalha ainda com o mesmo ardor da mocidade. No “D. Quixote” especialmente é que as colaborações de Calixto atingiram talvez o seu maior brilho. “D. Quixote” era uma revista humorística, feita por humoristas, e que no gênero, foi, sem dúvida, a maior publicação no Rio de Janeiro, verdadeira escola de graça e humor fino e despretencioso, sob a direção de D. Xiquote (Bastos Tigre). A caricatura de Calixto notabilisou-se pelo intenso movimento das figuras, isto é, pelo traçado dinâmico dos bonecos.

Outro colaborador de “D. Quixote” foi J. Carlos. Este é, sem favor, um dos maiores artistas que o mundo tem produzido, no gênero, que se J. Carlos fosse europeu gosaria hoje em dia de um nome universal. Não “conhece” desenho, isto é, nunca o cultivou em escolas especialisadas. Seu traço é notavel, contudo, pela extrema elegância, finura e delicadeza que o caracterisam. Nesse meio século em que se vem exercendo a atividade de J. Carlos, pode-se verificar — (consultando-se-lhe a obra) — a evolução constante do artista. Seus tipos correspondem perfeitamente à época em que foram desenhados. Um dos últimos desenhos de Calixto …

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Não só a indumentaria, como também a ambientação e a própria intenção psicológica dos caricaturados, lá estão nos desenhos de J. Carlos, o creador da “Melindrosa”. Tanto faz a cena rural, como o ambiente da alta sociedade. Seu lápis elegante e fino, traça perfis e aspetos proletários, burguezes ou aristocráticos. Trabalhou durante muitos anos na “Careta”, (para onde voltou agora a trabalhar) cuja coleção é um álbum de glórias de J. Carlos. Colaborou em muitas outras revistas inclusive o “Para-Todos”, no qual exerceu o cargo de diretor artístico.

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Nessa especialidade então é que se excedeu a arte de J. Carlos. Os caricaturistas (que só o eram, porque conservavam o grotesco do traço), passaram a ser ilustradores e até miniaturistas, tal a paciência chineza que revelavam. A caricatura “pessoal”, isto é, o portrait-charge, teve também cultivadores. Chamamos “cultivadores” àqueles que só se exercitaram em tal gênero; porque os demais, também faziam a caricatura pessoal. Romano, por exemplo, conseguiu tornar-se com o seu traço seguro e sintético, bastante popular, no “D. Quixote”. Vieram porém inovações, mesmo no “portrait- charge” . Este também se viu enriquecido com o “modelado”. Já não se fazia só o contorno; era preciso acentuar as massas da figura. Trazida aqui por Guevara, paraguaio e Figueroa, mexicano, essa nova feição de caricatura encontrou logo uma série de adeptos, no Brasil. Fazem-no ainda hoje Martiniano, Mendez, Alvarus e alguns mais. Outros ilustadores apreciáveis são: Oswaldo, caricaturista rural, Léo, Fritz, Théo, Luiz Sá, Cicero Valadares, Taba, Yantock, Storni, chargista politico, Monteiro Filho, um dos valores maiores na nova ilustração, Belmonte e J. U. Campos, em S. Paulo, J. Farhion em Porto Alegre, Seth, autor de desenhos, gênero Gustavo Doré, e caricaturista de costumes cariocas, Calinon Barretto gravador que se fez ilustrador, Nássara, Taba, Israel e alguns outros.

A “melindrosa”, notável creação de J. Carlos.